Nissan versa

06/04/2012 21:24
Nissan Versa

Nissan Versa

O novo sedã da marca consegue a proeza de desbancar o Logan nas medidas internas.

 

A Nissan tem metas ousadas para o Mercado brasileiro. Quer expandir sua participação local e deixar de ser vista como uma marca de nicho. Essa movimentação exige a aposta em segmentos de alto volume e um plano de ataque às maiores montadoras instaladas por aqui - leia-se: Fiat, Volkswagen, Chevrolet e Ford. Para a missão de conquistar as massas, o sedã Versa foi convocado para se juntar ao March e invadir o território nacional.

Olhando para o preço, o sedã da Nissan brigará de igual para igual com Siena, Voyage, Prisma e Fiesta. No comprimento, é maior que os rivais, com 445 cm. Bem mais armado que a concorrência já conhecida, traz novidades à categoria, como a direção com assistência elétrica e garantia de três anos sem limite de quilometragem. Mas é no espaço traseiro que está seu maior diferencial.

Mesmo com entre-eixos praticamente idêntico ao do Renault Logan (263 cm), até então o sedã compacto mais espaçoso do mercado, o Versa (260 cm) chega com interior inédito, rivalizando com carros de segmentos superiores. O espaço para os joelhos no banco traseiro é de 67 cm. A título de comparação, o Volkswagen Voyage oferece 56 cm ali. Na prática, uma pessoa de 1,85 metro poderia ajustar o assento dianteiro e sentar-se atrás de si mesma sem se apertar. No entanto, isso vale apenas na área para as pernas. O teto rebaixado encontra-se com a cabeça dos mais altos, consequência das linhas laterais da carroceria, que visam aproximar o sedã de um cupê.

Fórmula econômica
O Versa será oferecido em três versões: S, SV e SL. O preço sugerido parte de 35 490 reais, mas o valor não inclui ar-condicionado. Com o equipamento, sobe para 37 990 reais. A intermediária (SV) custa 39 990 reais e, de acordo com o fabricante, deve ser a configuração mais vendida. Testamos o Versa 1.6 SL, topo de linha, por 42 990 reais. Vem com rodas de liga leve, quadro de instrumentos exclusivo, maçanetas cromadas, faróis de neblina e ABS.

Todas as opções têm airbags duplos de série e motor 1.6 16V acoplado a uma transmissão manual de cinco marchas. Essa limitação compõe a formula adotada para reduzir o custo final do carro: peças compartilhadas com o March, nenhum opcional, tambores nos freios traseiros e suspensão traseira com eixo de torção.

Por dentro, apesar de simples, os plásticos são de qualidade, sem rebarbas ou texturas ásperas. A percepção de acabamento esmerado salta aos olhos, sobretudo se comparado com Logan, Prisma, Fiesta ou Siena. Ainda assim, fica faltando a pitada de tempero que está presente no Ford New Fiesta e até mesmo no Honda City. A suspensão é confortável e de rodar suave, mas jamais poderá ser acusada de ser instigante. A direção elétrica é lenta, mas torna as manobras mais fáceis, comodidade que a concorrência não oferece.

Pensando nos atributos da novidade, é fácil perceber que o Versa é uma compra racional. Provavelmente você não se encantará pelo seu design nem pelo desempenho do motor. O interior também não é capaz de cativar à primeira vista, mas, depois de dirigir o Nissan e fazer as contas, você vai perceber que não há em toda esquina outro sedã que ofereça o mesmo. Claro, falta um embate com o Chevrolet Cobalt para acertar os ponteiros.

A Nissan apostará em espaço interno e custobenefício para divulgar o Versa, mesma receita adotada pela Renault ao lançar o Logan. Até os riscos são semelhantes: uma possível resistência dos consumidores de carros de base frente às montadoras desconhecidas e a fama de marca de nicho. Por essa razão, a montadora japonesa tem lançado mão de campanhas de marketing tão agressivas. Quem não se lembra (ou não consegue se esquecer) dos malditos pôneis malditos?

Trazido do México, o Versa entra no Brasil sem pagar IPI de carro importado, assim como acontece com March, Sentra e Tiida. A meta é comercializar mais de 2 000 unidades por mês, números aos quais nem a rede de concessionários está acostumada. "Estamos reposicionando a marca, então adotamos uma nova postura de vendas", afirma Murilo Moreno, diretor de marketing da Nissan. Isso inclui preços fixos de revisão até os 60 000 km e uma lista de peças de reposição com a promessa de ser a mais em conta do mercado brasileiro.

A Nissan desconversa quando questionada sobre a transmissão automática, mas não descarta a possibilidade de incorporar o equipamento ao Versa. A marca tem duas opções para o futuro. Uma caixa automática convencional de quarto velocidades ou o câmbio CVT, oferecido nos Estados Unidos. Até naquele país o modelo é estratégico para a empresa, onde sucede o antigo Versa - conhecido no Brasil como Tiida Sedan. Para tornarse um veículo de entrada, a Nissan mudou a linha da qual o Versa deriva, como ocorreu por aqui com a Chevrolet Montana - que trocou a base do Corsa pela plataforma do Agile.

O cerco da Nissan aos sedãs compactos poderá fazer com que a concorrência fortaleça sua brigada. O problema é que, no meio do tiroteio, o Logan poderá ser atingido pelo fogo amigo, uma vez que Nissan e Renault são parte do mesmo grupo.